30 de outubro de 2008

Mudando de Mala e Cúia






Caros amigos, inimigos e pessoas que caíram aqui por acidente: é com muito prazer que inauguro minha mais nova menina dos olhos, meu mais novo passatempo, meu novo blog, o Umbigo Roxo.

Muita gente andou me perguntando sobre a mudança, então resolvi fazer esse post-explicação. Ok, só 3 pessoas perguntaram, mas vamos lá:

- O Alinhadamente Anormal era do antigo blogger, feito em uma conta de e-mail da globo.com que não existe mais, então eu morria de medo que ele um dia simplesmente desaparecesse.
Fora que esse antigo blogger parou no tempo e era muito chato mexer nele. Qualquer alteração tinha que ser feito em html e eu não tenho mais estabilidade emocional para isso.

- Eu detestava o nome e o visual do meu blog. Fora o endereço, aablog, que eu fiz quando não tinha entendido ainda o que era um blog.

- Sim, eu fiz questão de passar para cá todos os textos do aablog, mesmo sabendo que as pessoas só lêem o último post. Por quê? Puro apego barato. De qualquer forma foi divertido reler textos que eu nem lembrava e, por exemplo, notar que eu não sabia acentuar. Alguns textos eu arrumei, outros não, porque eu acho que tinha um q de ingenuidade, tinha lá a sua beleza, sabe? Ah, tá bom vai, fiquei com preguiça.

- Perguntaram muito também ( 2 pessoas) se eu vou escrever com mais assiduidade por aqui. Bom, a minha realidade costuma ser bem mais preguiçosa que a minha fantasia, mas pelo menos a minha intenção é escrever uma vez por semana ou mais.

Por favor, atualizem seus links e até logo mais!

Sobre banheiros - Terça-feira, Setembro 30, 2008





Eu sempre gostei de banheiros. Banheiro é com certeza a melhor parte da casa. Acha estranho que agora as suítes dos ricos possuam um banheiro pra cada casal? Pois eu acho um sonho de consumo. Talvez eu goste por ter mais dois irmãos mais velhos e ter que dividir tudo, não ter privacidade pra nada. Desde criança me trancava no banheiro e ficava horas lendo gibi. Hoje eu não leio mais gibis, mas ainda me tranco. Converso no telefone, escrevo cartas, poemas, músicas, em suma, o banheiro é o meu divã.
O meu grande desconsolo é que agora eu mal freqüento o meu banheiro, praticamente só uso banheiro público. Escovar os dentes, que sempre foi algo íntimo pra mim, agora é como ir à feira. Passo o fio dental e discuto a novela das oito com a estranha que lava as mãos na pia ao lado. Dizem por aí que os banheiros femininos são mais sujos que os masculinos, mas cá pra nós, o vaso sanitário não deve ter sido inventado por uma mulher. Só quem é mulher sabe como é difícil não se encostar no vaso. É uma verdadeira arte, e direto nos damos mal nessas tentativas, principalmente com algumas doses a mais. Homem não, homem se ajeita em qualquer moita, o que também é nojento, embora invejado por nós.
Na rodoviária Tiête tinha uns tempos pra trás um vaso moderno, que tinha um plástico sobre o assento, e depois que você usava era só acionar a máquina que ela trocava. Era o melhor banheiro público. Pagava um real, mas pagava feliz. Lá eu podia me sentar sem ter medo de pegar uma doença venérea ainda não catalogada. Pena que, segundo a faxineira, as usuárias não tenham se adaptado. As mulheres não entediam como funcionava, puxavam o plástico com força, estragavam a máquina, e a administração resolveu voltar ao velho vaso de sempre.
É, o jeito é ir treinando o equilíbrio. Qualquer hora eu descubro uma boa técnica e publico aqui, caras companheiras de banheiro.

Djobi, Djoba! - Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Cheguei a conclusão que preciso refazer minha lista de músicas favoritas. Sim, eu faço listas, ainda que mentais, e na minha lista de músicas não cabe mais aquelas músicas de alguns anos atrás. Acho tudo pra baixo, tudo a um passo do suicídio. É, parece que eu gostava de uma fossa. Lembro que tinha Travessia, tinha Retrato em Preto e Branco, Drão, Sabiá, enfim, tudo triste, triste, triste. Não que agora eu seja a garota propaganda da felicidade em cápsulas, mas sou diferente. Mais leve, eu diria. Talvez quando eu chegar aos setenta só escute Ivete. Comentei com meu amigo sobre isso e ele me disse que não tinha um top cinco, ou top dez, mas gostava de uma do Gonzaguinha e uma chamada Djobi Djoba. Sabe qual é, né?

http://www.youtube.com/watch?v=hVb5araL39k

Agora me diz, que tipo de pessoa tem essa música como preferida? E pior, assume assim, sem o menor receio. É mais ou menos como confessar que gosta de ouvir Lulu Santos, ou de assistir Lagoa Azul. Pra mim só bêbada na mesa do bar, ou a base de tortura. Mas o Dú, bem...ele abriu um blog, aos poucos você vai descobrir.

Blog do Dú: http://comportamento-geral.blogspot.com

Aniversário Analógico - Sexta-feira, Agosto 29, 2008


Meu aniversário começou com a já esperada ligação do meu pai, pontualmente a meia-noite. Pronto, 26 anos. Agora já não tenho vinte e poucos anos, mas sim vinte e tantos. Entro no orkut, quem sabe já tem alguma mensagem? Não, nada. Poxa, ninguém acordado essa hora?
Acordo com o interfone tocando, era um entregador com uma cesta de café da manhã que meu pai e meu irmão compraram e eu me empanturrei, apesar da dieta recente. Ah, é meu aniversário, oras. Entre uma rosquinha e outra, entro no orkut outra vez e nada. Cadê as pessoas que acordam cedo pra trabalhar? Já são nove da manhã, pessoal.
Mais tarde me toquei: esqueci de colocar a data de aniversário no orkut! Entrei em configurações e batata. Estava só para eu ver. Mudei a opção, mas já era tarde. Não apareceu mais e ninguém ficou sabendo, o que foi triste e legal ao mesmo tempo. Só alguns poucos amigos lembraram, mas eu não tive que ficar respondendo aquelas mensagens chatas de pessoas que eu mal conheço. Um dia de aniversário íntimo, como nos velhos tempos. Eu até poderia ajustar a data pra outro dia, como um conhecido fez quando viu que cometeu o mesmo erro que eu, mas seria o cúmulo da carência virtual.
Já no shopping, falei pro meu amigo Zezinho Garçom que era meu aniversário, quem sabe ele me arrumava um almoço de graça? Ele não acreditou, pois não estava no orkut. Argumentei que havia esquecido de colocar a data lá, e ele continuou achando que era mentira. Acredita? Não ganhei nem um refrigerante! É o fim dos tempos, não é?
Ao longo do dia falei do meu aniversário via msn com algumas pessoas e elas responderam a mesma coisa: mas não tá no orkut! A minha sorte é que minhas tias e minha avó não entraram na era digital e continuam usando as velhas e inabaláveis agendinhas de papel. Recomendo.

Mulherada muito louca com doce na boca - Sábado, Julho 26, 2008



Eu tinha muita coisa pra escrever sobre os meus últimos meses. Sobre me mudar pra São Paulo, sobre não achar uma casa pra morar, sobre como é ficar na casa de amigos por um mês, sobre pequenas delícias da capital, sobre como é ruim acordar cedo e só voltar a noite e até sobre como mudar os planos, voltar pra casa, pensar em desistir do mestrado, fazer outro vestibular, enfim, mil coisas, mas eu não tive tempo de escrever na época e as coisas não fazem sentido depois de um tempo. Depois que passa tudo parece bobo.

E por falar em bobo, eu vou às Lojas Americanas todo dia, mais ou menos no mesmo horário, compro um chocolate Alpino Barra e fico passeando por lá. É um ritual meu. E todo dia rola paralelamente outro ritual, alguém escolhe um cd do Charlie Brown Jr. pra tocar. Todo santo dia, no mesmo bat-horário: Chorão, sua turma e eu, que fico me lembrando de quando tinha 15 anos. É, eu gostava de Charlie Brown Júnior. Fico tentando lembrar o porquê e não chego a uma conclusão. Eu gostava de Caetano, de Chico, e poxa vida, de Charlie Brown Júnior?

O mais engraçado é a ingenuidade. Tinha uma música que tinha um trecho assim “mulherada muito louca com doce na boca”, e eu imaginava um monte de meninas chupando pirulito, mastigando chicletes e balas. Uma verdadeira orgia alimentar. Droga pra mim era coisa de filme, Cristiane F., Kids, e outros que eu assistia escondida dos meus pais. Conhecia no máximo algumas pessoas que fumavam maconha, mas eram super “maloqueiros”. Tinha outra assim: “se me apresenta essa mulher te dava até um doce”. Olha que legal, o cara arruma uma menina pro amigo e ganha sei lá, um Sonho de Valsa. Uma troca justa, não?

Com tanto doce fico me lembrando também de quando tinha uns cinco anos e gostava de contar a piada do danoninho. Eu tinha aprendido a piada em um programa do Chico Anísio e ela se tornou a minha piada favorita. “Sabe o que o passarinho falou pra passarinha? Quer danoninho?” Contava e ria, ria. Achava tão legal a idéia de dois passarinhos comendo danoninho.Onde já se viu? Passarinhos só comem alpiste, ora essa. O chato era que os adultos pareciam não achar graça, só me olhavam estranho, e eu ria sozinha, como agora, no meio das prateleiras das Lojas Americanas.

Sobre a tão falada Virada - Terça-feira, Abril 29, 2008




Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.

"Eles já viveram tudo e sabem que a vida é bela" - Sábado, Abril 05, 2008


Um copo de plástico em cima da lixeira, bordas meladas de suco e metade cheia de água de chuva. A abelhas faziam a festa, girando pra lá e pra cá, tentando roubar um pouco de açúcar. Algumas mais gananciosas acabaram afogadas, enquanto as outras voavam com cuidado e tentavam se equilibrar nas beiradas. As sobreviventes não pareciam ligar para as amigas burras e eu fiquei refletindo sobre isso, perdida nos meus pensamentos, quando um casal de velhos se aproximou. Tinham manchas grandes no rosto, a pele era fina, ela andava curvada e ele de muletas. Chuto uns oitenta e poucos anos. E não, não tinham aparência bonitinha, que me despertasse compaixão. Era só um casal de velhos.
A velha chamou a atenção do velho para o copo cheio de abelhas. Aproximaram-se, tentaram entender porque elas estavam ali. Ele achou que elas foram beber água. Ela achou idiota e eu também. Nunca ouvi falar que insetos bebem água. Será? Fiquei me esforçando para pensar se bebiam ou não, revendo na mente minha apostilinha de biologia. Foi aí que a velha deu um peteleco em uma abelha, fazendo com que ela caísse no chão, desorientada.
Achei maldoso, mas ela não. Ela riu, riu deliciosamente, e para concluir a cena pisou na abelha, esfregando a pontinha do pé, como se quisesse garantir que ela não sobreviveria. Tornou a repetir a ação com mais três abelhas, e riu com o mesmo prazer, em todas às vezes. Sobraram umas quatro abelhas, talvez alheias a tudo que acontecia com suas companheiras, talvez felizes por escapar, mas o velho deu um peteleco ainda mais leve, fazendo com que elas caíssem, uma a uma, dentro do copo, somando ao número de afogadas.
Queria ver se ele também daria risada, mas o ônibus chegou e eles se apressaram para entrar na fila, passando na frente dos outros velhinhos e garantindo seus bancos reservados.

Tempo Tempo Tempo Tempo - Sábado, Fevereiro 23, 2008


Acordo e tudo mudou. Chiclete não é mais tão gostoso, trufa de brigadeiro é doce demais e o Fidel não está mais no poder. Estou envelhecendo.

Um jornal inteiro sobre o ex-presidente cubano. Meus netos nem saberão quem ele foi. Talvez decorem para a prova e esqueçam depois. Será que até lá o Che ainda vai ser estampa de camisetas? Isso me faz pensar na beleza do tempo, de como a vida é algo muito maior que política, pessoas e ideologias. Paro de achar tudo tão belo quando vejo, na área de publicidade, rostos aprovados no vestibular. Não conheço mais ninguém! Nem irmãos caçulas.

Antigamente eu conhecia todo mundo. Velha. Opa, finalmente reconheço um. É ele! Não acredito. O menino bonito. Mas no jornal de vestibulando? Deve ter o que? Dezoito anos? Talvez até dezessete. Oh, céus. Até uns anos atrás pessoas bem mais novas que eu eram crianças, não incomodavam. Agora eles são grandinhos, estão pelos bares, pelas ruas, confundidos e confundindo. Droga. Estou envelhecendo.

Resolvo tomar um sorvete. Parece que o sorveteiro está mal de saúde, é bom correr. Fico me sentindo a mais fria entre os mortais, pois só me preocupa a sobremesa e não o pobre, que passou por várias cirurgias no coração, mas estamos falando do sorvete de doce de leite, o melhor sorvete de todos os tempos, meu sorvete favorito desde criancinha. Tomo com o prazer e a dor de uma despedida. No fim concluo que nem estava tão bom assim. Achei aguado. Seria eu o problema? Eu que estou envelhecendo e ficando chata, ou ele que envelheceu e perdeu a mão? Tomo outro de ameixa ao rum. Muito bom. Vem na minha mente “agora ele pode morrer” e eu me recrimino em seguida.

Voltando para casa reparo que não tem mais o puteiro de sempre na minha rua. Como assim? Pra onde ele foi? Demoliram, meu Deus! Minha rua ficou sem graça agora. Poxa, quais outras ruas tinham o glamour de ter uma casa azul de janelas rosas, escrito Boite Cherry Marta na porta? Era uma ótima referência para os entregadores de pizza. Lembro do dia que conheci a proprietária. Fui ao supermercado comprar alguma coisa para minha mãe e ela estava lá, conversando animadamente com o caixa, com um saco de mangas que tinha apanhado no quintal. Entrei na conversa, que era sobre guaraná e tubaína. Na hora de ir embora ela me deu uma das mangas. Senhora simpática. Mais tarde me disseram o que ela era, e que eu não deveria conversar com gente assim, pois poderiam me confundir e outras bobagens. Acho que comecei a envelhecer ali.

Diálogo com Eduardo - Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

-Que link é esse?
- O blog do menino que estou conversando.
- Vou ver.
-Ah, tenho uma queda por homens que escrevem bem.
-Você gosta de homens inteligentes, então jamais se esqueça que homens inteligentes gostam de mulheres burras.

(E então Marcela pensa nesse momento: Doutor, uma lobotomia, por favor.)

27 de outubro de 2008

Second Life, por uma vida mais feliz - Sábado, Janeiro 26, 2008


Você deve ter ouvido falar, um tal de Second Life. Sabe? Não, não é reencarnação. É uma vida virtual, um misto de jogo e bate papo. Nem é algo do momento, mas eu sou lerda, estou falando sobre o assunto com uns dois anos de atraso. É que as tecnologias demoram para entrar na minha vida. Só ano passado entrei no mundo das fotos digitais, só esse ano comprei um tocador de músicas digitas, e só agora estou falando da vida digital.
Se eu baixo filmes pela internet? Sem chances. Vou à velha e boa locadora. Tem dias que alugo um vhs. É, ainda tenho um vídeo cassete, sabe como é, eu me apego as coisas, mas a última fita que aluguei estava toda embolorada, e eu pedi a Deus que abençoasse a alma daquele que inventou o dvd. Às vezes precisamos dar o braço a torcer. No Second Life não deve ter vhs, dizem que tudo é perfeito lá, não há espaço para bolor, cabeçotes e afins. Se bem que disseram que o U2 fez um show lá. Como? Não me pergunte, mas é uma prova que não é tudo tão perfeito assim.
Uma tal japonesa vendeu suas coisas na vida real e aplicou no jogo. No começo todos pensavam que ela estava louca, mas hoje ela está rica. No jogo. E existem empresas que compraram ilhas, e só quem tem dinheiro - o virtual, é claro - pode entrar. Uma espécie de Ilha de Caras do mundo moderno, mas sem os fotógrafos, o que convenhamos, perde 95% da graça para quem está lá. Que sentido tem ter dinheiro, se não podemos sair nas capas de revista segurando uma taça de vinho na banheira de hidromassagem?
Pra mim o mais interessante é que podemos inventar o nosso próprio eu, no caso os avatars. É o fim dos livros de auto-ajuda. Cansou da sua cara feia e amassada? Crie um avatar com os traços e algo mais de Angelina Jolie e faça sucesso entre os rapazes. Quer parecer forte e sarado? Que malhação que nada! Basta caprichar no seu avatar e ganhar todas as gatinhas de plantão. Cansou dessa vida de mulher em um mundo comandando pelos homens? Vire um deles, ora essa, e saia por aí, ou melhor, por lá, sem camisa e urinando nos postes. Ah, deve ser divertido, vai? Tudo bem, talvez só por um dois dias.
Pena que no mundo virtual eu não vou poder realizar meu sonho de virar um homem por um dia, comer todo mundo e não ligar pra ninguém no dia seguinte, afinal, não tem o comando sexo no Second Life, ou será que tem? Tem o botão voar, que eu sei, e se você analisar bem, pode ser bem mais interessante. Em suma, está bem mais fácil viver nos dias de hoje.

Conversa de Bar - Domingo, Janeiro 20, 2008


Mulher 01: - Não vejo mais tanta graça no sexo. Acho que as pessoas supervalorizam, não é tudo o que dizem.

Mulher 02: - Talvez você devesse experimentar com mulheres, inovar.

Mulher 03: - Sexo com mulher? Que clichê! Inovador é sexo com legumes. Cenouras, pepinos, abobrinha. ( Risadas seguidas de grande silêncio )

Mulher 01: - Milho deve ser interessante. Aqueles gominhos... ( Mais silêncio)

Sobre Caipirinhas e Patentes - Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Fui a um festival de caipirinhas. As mais variadas frutas, mais de quarenta combinações, era o que dizia o cartaz, mas no cardápio só tinha dezoito. Pedi o cardápio com as outras 22. Acharam que era piada, mas eu falava sério. Entre as dezoito, três faziam parte do toptop, sendo uma delas a incrível caipirinha de Yakult. Isso mesmo, Yakult.
Fiquei pensando no slogan: Caipirinha de Yakult, você se diverte com os amigos e ainda regula sua flora intestinal. Há quem diga que a palavra intestinal espanta os consumidores, mesmo depois de uma outra bonita como flora, mas eu penso em roubar a receita e patentear. Vai ser uma febre entre as banhistas de Angra. Uma dose e seu biquíni cai super bem. Já experimentou? A Bibi que me recomendou. Experimenta, menina. É geladinha, uma delícia.
Vai vender na Fashion Week, no sambódromo, em todo lugar. Serei rica. Rica! E eu pedi saquê com manga, mas não tinha manga, nem saquê.

- Jura que essa porra é melhor que lacto purga?
- Humrum.
- Me dá logo um gole dessa merda.


" Depois que eu comecei a tomar capirinha de Yakult, eu consigo até...vocês sabem. Hehe."




- Amor, tomei caipirinha de yakult pela manhã e já fiz cocô.
- Que lindo, amor! Posso ver?




Sonhos de Natal - Domingo, Dezembro 30, 2007


O que falta na minha família é um alcoólatra. Chega desse bom mocismo. Natal com conversas em tom amigável, comida gostosa, presentes e cada um pra sua casa. Precisamos de alguém para rolar na mesa, derrubar o peru, fazer a criança chorar. Talvez um alcoólatra com uma esposa dramática, que grite, o pegue pelos cabelos e o arraste até a saída, sob o olhar assustado dos demais. Todos se perguntariam como ela agüenta, e as crianças, pobrezinhas? Teríamos assunto para o resto da noite e para o almoço do dia 25.
Não, sem esse papo que não sei como é triste essa doença. Realmente não sei, mas sei como são chatas as festas com pessoas sóbrias e não as desejo a ninguém. Algumas boas doses a mais são indispensáveis e meu parente alcoólatra saberia dessa lição como ninguém.
E as piadas? Seriam tão melhores. Imagine só, no lugar de piadas com preconceitos disfarçados, teríamos piadas explicitamente incorretas, com os nomes certos dos sexos no lugar dos tananãs e na frente das crianças. Sem essa de passar o dedo pela pele, fale preto, fale criolo. Fale de uma vez que você odeia pobre, odeia viado. Meu parente alcoólatra falaria, assumiria tudo de pobre que há dentro dele com a desculpa da bebida, e todos fingiriam espanto.
Talvez ele nadasse pelado. Talvez gritasse que a casa é dele, e ele faz o que quiser. As mães tapariam os olhos das filhas. Os adolescentes dariam risada e se perguntariam qual mais ele aprontaria. Joga a tia na piscina! Eu estaria no coro. Vai desfazer a chapinha! Pessoas ceiando molhadas e de cabelo bagunçado.
E você? E você que é um vagabundo? E você que deu o golpe do baú? E você que teve um caso com a secretária? Chifruda! Sovina! Você roubou o próprio pai! Sim, ofensas no lugar de doenças alheias. Terminaríamos a noite brigados para fazer as pazes no dia seguinte, ou talvez no reveillon. Não, só no próximo natal. Ou nunca mais! Mentira. Todos se perdoariam, foi a bebida, foi o parente alcoólatra, mas ele não tem culpa, é uma doença, pobrezinho.

Eu, eu e o reveillon - Domingo, Dezembro 23, 2007


Eu detesto reveillon. Detesto reveillon com todo o meu coração. Detesto reveillon com todo o meu coração e tudo de pior que existe dentro dele. É a pior data do ano. Se eu fosse me matar, provavelmente seria no reveillon. Se eu fosse matar alguém, também seria no reveillon. Pronto, agora que eu coloquei todo meu ódio pra fora, vamos discorrer sobre o assunto.

Começa você, me pergunta, por que você odeia tanto o reveillon, uma data bonita, festiva, cheia de fogos de artifício, de vida, de esperança, você perdeu a esperança? Não, não é essa a questão. Eu gosto de fazer metas até. Sempre coloco um emprego decente lá, é um dos primeiros tópicos. Sim, sexo também, mas depois. E friso o detalhe, sexo de qualidade. É, tem razão, estou pedindo muito em uma lista só. Vou riscar e colocar paz no oriente médio.

Gosto das lentilhas e das romãs, sim, romãs, não têm gosto, mas tirar gominho por gominho é meio terapêutico. É, parece loucura, eu sei, mas gosto. Só não guardo na carteira, acho besteira, e até esses dias eu nem tinha uma carteira. Você viu? Gostou? Super barato, me sinto madura novamente agora que voltei a ter uma carteira, mesmo que ela pareça de uma menina de 10 anos. Roubaram a outra, lembra?

Acho que o problema é a vontade que seja o melhor dia do ano, isso faz com que ele seja o pior, se eu esperasse apenas um dia comum talvez me sentisse feliz comendo lentilha e bebendo champagne de 2 reais, mas eu estrago tudo, sempre. Eu me frustro em não estar em Copacabana, ou em um cruzeiro, ou até mesmo em uma festa que não terminasse alguns segundos depois da virada.

Copacabana brega? Ah, eu gosto, acho saudosista, não sei, eu me sinto bem lá. É, fui algumas vezes, mas nunca no reveillon. Teve um ano que algumas pessoas se queimaram, nesse ano eu não invejei as pessoas que estavam lá. Ah é, teve o ano do arrastão. Quando choveu também não, né? De chuva basta aqui nesse fim de mundo. O ano do ônibus queimado não foi legal também.

Mas e um cruzeiro? Cruzeiro é bacana. É, o Batomuche realmente não, mas pelo menos foi um reveillon agitado para quem estava lá. Sim, foi maldade, desculpe. Eu me lembro do plantão da Globo falando do acidente. Será que é a minha imaginação? Provável. Já contei que me lembro de quando eu ainda nem andava? Dizem que é impossível.

Um porre? E se eu vomitar? Passar o reveillon vomitando não deve ser divertido. É, o melhor seria tomar um tranqüilizante e dormir a noite toda. Já, já tentei, sem tranqüilizante. Se eu tivesse uma receita médica, mas nem isso. Não, senhor farmacêutico, não tenho uma receita, mas tenha piedade, sou uma pessoa que não consegue ser feliz no reveillon.

E tem festas no bairro todo, não dá pra dormir. Uma vez eu pensei em me infiltrar em uma dessas festas e descobrir se as pessoas estão realmente se divertindo ou se é fingimento. Também pensei em entrar e matar todo mundo. Inveja, o juiz me absolveria. Talvez um juiz que também não gostasse de reveillon.

Para de cantar essa música, depois não sai mais da cabeça. Ah, sabe o trecho final? Saúde pra dar e vender? Eu ficava imaginando as pessoas vendendo sua saúde. Quem dá mais, quem dá mais? Sabe? Ou ainda, toma minha saúde de graça pra você, vou ter uma pancreatite depois, mas pode levar, nossa amizade é mais valiosa. Tem certeza que quer me dar a sua? Não quero me sentir culpada por uma hérnia de disco, ou uma meningite, hein?

Adoro esse globo. Será que no Sirilanka se comemora reveillon? E na costa leste do mar Báltico? E na baía Prudhoe, no Alaska? E se eu colocar no google qualquer ilha do mundo que não se comemora reveillon, será que aparece?

O dia mais estranho da minha vida ( um post grande, porém verídico) - Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Saio de casa para viajar para São Paulo. Estou atrasada como sempre, e como sempre minha mãe pergunta nervosa se eu não estou esquecendo nada, pijama, escova de dentes, cédula de identidade, e o dinheiro, pegou? Peguei. Até aqui tudo normal. Só mais uma das centenas de viagens que fiz até a capital do estado vizinho. Ou seriam milhares? Sei lá, sou péssima nesse tipo de raciocínio, mas chuto milhares.
Começo a sentir fome. Não parece uma boa idéia viajar todo esse tempo com fome. E se comprasse um lanche na padaria a dois quarteirões do ponto de ônibus? Vai sim, dá tempo. Ele ainda vai demorar pra passar, diz uma moça se enfiando na conversa. Por que eu dou ouvidos para outras pessoas? E pior, por que eu dou ouvidos para pessoas que eu nunca vi na vida? Perco ônibus. Mas tudo bem, o enroladinho de frios está ótimo.
Pego o ônibus seguinte. Abro minha latinha de suco. Faz aquele barulho gostoso. Outro barulho gostoso. A vizinha de poltrona abriu uma lata também, mas é de cerveja. A vizinha puxa algum assunto, respondo, mas respondo de forma objetivas, sem prolongar. Não é todo dia que eu quero ser sociável, sabe? Ela insiste. Eu resisto, mas lembro da boa educação que minha mãe tentou me passar e dou a batalha por vencida. Agora já sei que ela nasceu em uma fazenda, mas casou e foi morar e cidade grande, que não se adaptou, que está cansada, que é professora, que faz cursos por correspondência, e que tem uma amiga com sobrenome Rosmaninho. Que? Rosmaninho? Jesus, que coincidência! Eu também.E estou indo passar uns dias na casa dela. Engraçado, ela me disse que só existe uma família com esse nome. Estranho, muito estranho. Nesse momento começo a achar que algo acontecerá.
Pode parecer estúpido, mas eu não acredito muito em coincidências. Eu acredito em sinais. É, é idiota, eu sei. Saio do ônibus com vontade de ir ao banheiro. Pago um real contrariada, pelo menos o direito de esvaziar a bexiga deveria ser garantido ao cidadão. Não acha? Bem, eu acho. Banheiro lotado, procuro uma cabine vazia. Olho para baixo, tento olhar pelo vão inferior qual delas não tem um par de pés, ou mais, e então eu o vejo. É um pé. Só um pé, sem resto, sem corpo, no máximo a canela magra, mas basta, é assustador o suficiente. Um pé branco, veias aparecendo, unhas crescidas e amareladas, pele ressecada. Um pé de velha. Um pé feio. O pé mais feio que eu já vi na minha vida. Uma cena de filme de terror. Saio apressada e pego a escada rolante.
Passado o susto, decido comer algo, algo barato. Vou até a praça de alimentação, mas no caminho algo me chama a atenção. Parece uma bolinha. Sim, é uma bolinha, uma bolinha de gude e está vindo na minha direção. Desvio e a bolinha passa, continua rolando, rolando, passa por todo o salão e eu a perco de vista. Some no meio de pés e bagagens. Olho para os lados, para frente, para trás, tento entender de onde ela veio. Alguma criança por perto? Ma loja de brinquedos? Nada, não tinha nada. E hoje em dia as crianças nem brincam mais de bolinha de gude. Estranho? Muito estranho. E contando com o sobrenome e o pé, já são três sinais.
Vejo uma barraquinha de cachorro quente, tem um anúncio de um cachorro quente por 2 reais, e vem duas salsichas. Tudo que eu pedi a Deus.
-Moço, quero um cachorro quente.
-Qual?
-O do cartaz.
-Ah, o do cartaz?
O moço faz uma cara feia, de desapontado. Abre a portinha do balcão, sai, pega o cartaz, enrola, enrola, e enrola. Enrola de forma demorada, não sei se por cautela ou pra me irritar. Volta, guarda o cartaz, e só então começa a preparar o meu pedido.
Reconheço o atendimeto incomum como o quarto sinal e começo a pensar em desgraça próxima. Talvez um meteoro atinja a terra. Não, menos. Talvez a morte do Roberto Carlos. O jogador não, o Rei. Verdadeira comoção nacional, plantão na Globo, matérias no jornal. Paro de pensar em desgraça e lembro de pedir mostarda.
Entro no metro. Um homem falando alto chama minha atenção. Ele grita com uma mulher, quer sentar em outro banco e não no que ela escolheu. É um homem baixo, moreno, bigode, regatas, e chinelo Rider. Fazia tempo que não via um chinelo Rider. Era um homem rude, abrutalhado, jeito grosseiro de sentar, falar, de ser. A mulher obedece e senta no fundo, onde eu também estava. Não me lembro da roupa, só do cabelo e da pele. O cabelo é muito seco, mal cuidado, arrebentado, mas ela sustenta a vaidade. Tentou prender os cachos, mas de tão arrebentado os fios só conseguia prender uma pequena porção na nuca, o resto ficava armado, solto, indicando o sentido oposto do couro cabeludo. E a pele? A pele por si só é um retrato fiel da alimentação precária. Não tem cor, não tem viço, nada. Ela senta e passa seu braço pelo corpo dele, reconfortada. Acho meigo.
Ele começa a falar que não quer mais esse tipo de relacionamento, que gosta de ser homem solto, sem mulher, sem compromisso, que é melhor ela seguir o caminho dela, seriam mais felizes. E então ela murchou. Se existia ali um resto, uma porcentagem mínima de vida, foi embora neste momento. A moça tira o braço, abaixa a cabeça, e ele diz algumas palavras que deviam ser para consolo, mas são cruéis. Ela chora em silêncio. Ele levanta seu rosto, diz que não é motivo para tanto, que ela ficará bem.
E eu fico lá, assistindo tudo, pensando naquela moça, na vida que ela teve, nos motivos que a levaram a acreditar que aquele homem era seu porto seguro. Fico imaginando o local onde eles estavam vivendo, no dia a dia, ele medíocre, mas ela se sentindo ainda mais medíocre que ele, e ele bem satisfeito no papel de pessoa superior, os dois totalmente alheios as suas reais condições de desgraça, e foi então que tudo ficou claro. Foi então que entendi. Os sinais finalmente se justificam, algo único aconteceu na minha vida, a mistura da realidade e da ficção. Será que estou louca ? Pisco forte. Pisco forte duas vezes. É verdade. É ela. Estou diante da verdadeira, da autêntica Macabéia.

Preguiça - Domingo, Maio 13, 2007


Tenho preguiça de escrever para esse blog, tenho preguiça de ler outros blogs, e tenho mais preguiça ainda quando percebo que as pessoas que antes visitavam isso aqui, agora sofrem do mesmo mal que eu, o que resulta em um marasmo geral no mundo blogger.
Por conta da minha ausência fico sem falar de coisas importantes, entre elas a minha volta para Minas Gerais. Pois é, voltei. Depois de muitos conflitos mãe-super-controladora x filha-mimada-que-se-acostumou-a-morar-sozinha, tudo parece caminhar bem. Voltei a almoçar todos os dias, a dizer onde eu vou, que horas volto, a dormir na madrugada, e a arrumar minha cama, o que já não me parece o fim do mundo.
O mais difícil é a cidade em geral, as pessoas, a forma de pensar. As vezes me parece que as pessoas de Poços de Caldas tem um interesse mais que normal pela vida do próximo, e no começo eu me irritava em ter que responder tantas vezes que não, eu não estou trabalhando, que não, não casei (Aqui as pessoas ainda se casam. Se virgens eu não sei) , que não, eu estou namorando e não, não tem nenhum motivo especial pra isso.
Existe também uma grande preocupação com o parecer algo. Parecer rico, parecer feliz, parecer bem sucedido. Acho que é normal de cidade do interior, pois esses dias eu li uma revista de Guaxupé, e era um revista Caras versão rural. Mulheres de fazendeiros falando de como são felizes ao lado do maridos, dos filhos, e dos pés de café, enquanto tomam um chá com as amigas em sua mansão novela Rei do Gado.
Poços de Caldas também tem um jornal parecido com a revista de Guaxupé, um jornal que eu nunca levei a sério, mas descobri que as pessoas em geral levam. O jornal é um show de falta de senso, uma bizarrice sem fim. Eu leio e não sei se dou risada, se choro, se escrevo um e-mail reclamando ou se ignoro.
Só para exemplificar, em um dos exemplares que eu li tinha uma entrevista com a ex- mulher do presidente da Caldense, o clube daqui. A entrevista era um bate-bola, onde ela dizia do que gostava de fazer, livro favorito, essas coisas, e entre as perguntas as seguintes pérolas:


Obrigatório - Visitar meu cirurgião plástico uma vez ao mês.
Não pode faltar na geladeira - Gelo, para o meu whisky.
E para arrematar... Você por você: Uma pessoa simples, como vocês estão vendo.


Achei que terminaria por aí, mas virei a página, e tinha uma sessão de fotos com modelos mirins. Vários meninos e meninas com sobrenomes conhecidos de famílias ricas da cidade, e entre elas uma menina esquálida, com um vestido listrado. Na legenda o nome da garota, o sobrenome e a seguinte frase: no melhor estilo menina bem nascida. Pensei que estava escrito errado. Como assim? Menina bem nascida? É uma piada? Não, não era. Era sério. Ai, preguiça.

Por que te amava tanto? - Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Recebi um texto hoje que adorei e resolvi publicar aqui. Pena ter brigado( pra variar) com o autor 1 minuto depois. É, ex-amor. Não tem mais jeito mesmo, mas foi linda a nossa história.

Por que te amava tanto?

Porque ficavamos muitos finais de semana trancados no quarto e nos bastavam apenas nós dois. Porque você acordava sorrindo e adorava as torradas que eu preparava.
Porque você chegava do trabalho e me acordava com beijos e paciência.
Porque você, às vezes, acordava e logo me abraçava. Porque você não ligava que eu fizesse ou não a barba todo dia.
Porque você era ciumenta, como eu.
Porque você dava chilique quando eu dizia que uma mulher era bonita ou sensual.
Porque brigava se eu olhasse para outra menina.
Porque sempre me esperava no aeroporto com uma carinha de felicidade.
Porque quando vinha comportava-se como uma meninha, encantada por estar aqui.
Porque você andava léguas para encontrar bolinho de bacalhau para mim.
Porque almoçava junto comigo num boteco qualquer da Paulista com a alegria de quem estivesse no Fazano.
Porque queria viver comigo, apesar de sua família.
Porque você um dia desejou ter filhos comigo.
Porque você fazia tudo que pudesse me agradar, mesmo que fosse algo de que não gostasse muito.
Porque você vigiava para que eu não esquecesse meus óculos.
Porque me ligava de madrugada, às vezes chorosa.
Porque se escondia no armário para me ligar.
Porque era tão parecida comigo em certas coisas e tão diferente em outras.
Porque deixava de brincar com sua gata, só pra não me deixar só.
Porque você suportava que eu corrigisse o seu inglês e sua gramática sem ficar ofendida.
Porque você era boa naquilo que fazia e sabia disto, sem achar que isso te levaria ao céu ou te livraria do inferno.
Porque você tinha tantos talentos e era tão humilde com relação a eles que eu só fui descobrir depois de mais de 2 anos juntos.
Porque podiamos falar de mitologia, filosofia, cinema, música, viagens, história ou apenas fofocar sobre astros de TV. P
orque você era quase sempre bem-humorada, gentil, educada e fofa.
Porque você tinha a boca mais delícia e macia e lindinha do mundo, mesmo quando dormia com ela aberta e roncava.
Porque você não era feminista nunca.
Porque às vezes eu era um grosso, e mesmo assim você nunca ficava horrorizada comigo.
Porque às vezes você me tratava como se eu fosse seu melhor amigo, sem nunca deixar de ser mulher.
Porque você nunca deixou de me achar gostoso , estivesse eu de cabelos aparados ou crescidos.
Porque você gostava quando eu ria pois achava que eu tinha um sorrisão aberto.
Porque você me achava inteligente mas não se sentia ameaçada de forma nenhuma.
Porque você sempre queria ouvir minha opinião.
Porque você deixava que eu decidisse se você iria comprar esta ou aquela coisa.
Porque até hoje ainda gostamos mais de conversar um com o outro mais do que com qualquer outra pessoa.
Porque nossas brigas eram de ciumes e de curta duração.
Porque quando eu olhava pra você consiguia ver a criança que você foi e a velha que iria se tornar, e amava as duas também.
Porque você tem olhos negros, lindos, e olhar tão doce.
Porque nunca ganhei na Mega Sena pois, provavelmente, a sorte tem que ser distribuída com alguma justiça entre as pessoas e eu já ganhei na loteria 1 vez. Faz tempo. Pra ser mais exato faz 6 anos.

O homem ideal - Quinta-feira, Novembro 09, 2006


Ele: Eu jogo Hockey.
Eu: Hockey? Que coisa de gringo. Você deveria é jogar uma pelada aos domingos!
Ele: Eu jogo às sextas, mas sou um perna de pau.
Eu: Menos mal. Você tem um daqueles shorts da copa de 74?
Ele: Daqueles com três listras do lado e que bate na virilha?
Eu: Isso!
Ele: Tinha da copa de 82, mas foi ficando velho e rasgou.
Eu: Que pena. Se você tivesse um eu me casava com você.
Ele: Eu posso ver com meu tio. Caso eu arrume, o que você me oferecesse em troca?
Eu: Que tal uma roupa de paquita? Ombreiras e botas. Já pensou?
Ele: Com shortinho?
Eu: Não, só ombreiras e botas. Mas ei, você está esquecendo o melhor: botas douradas.
Ele: Prefiro o shortinho.
Eu: Nada feito. Aquele shorts é mais curto que o do Zico. Tem que se algo equivalente.
Ele: Então nada de casamento. Vai ser difícil arrumar outro cara que faça letras e tenha o shorts. Eu: Letras? Quem falou em fazer letras? Eu quero é um cara com aqueles shorts!

A arte (ou a burrice) de não dizer o que sente - Sexta-feira, Setembro 29, 2006




Você: - Você vai, né?
Ele: - Não sei ainda, por quê?
Você diz: - Porque se você não for não tenho como voltar.
Quando você queria dizer: - Porque se você não for não tem a menor graça.


Ele: -Você vai?
Você: -Vou, não vou fazer nada mesmo.
Quando queria dizer: - Claro, eu nunca perderia uma chance de ficar perto de você.

Ele: - Como foi?
Você: - Legal.
Quando queria dizer: - Chato. Fiquei pensando o tempo todo em você e em como seria mais legal se você estivesse lá também.

Você: - Você tava sumido.
Quando queria dizer: - Estava morrendo de saudades!
Você: - Alô, e blá blá blá. Quando só queria ouvir um pouco aquela voz.

Conversa com Vinícius, 03 anos. - Quinta-feira, Agosto 17, 2006


Ele: - Oi

Eu: - Oi.

Ele: - Hoje eu fiz um cocô grande.

Eu: - ...

Filha de peixe... - Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Eu já joguei minhas roupas no lixo e já joguei água sanitária no arroz. Por que? Não sei, é como se eu saísse de órbita, distraio, faço sem ver e quando vejo aquilo volto, estranho, demora alguns segundos até que eu entenda o que não encaixa nessa ação e perceba a besteira que eu fiz.
Não me orgulho muito disso, não é legal ter que começar a cozinhar o arroz todo de novo, não é legal aparecer em casa com uma caneta que você não tem idéia de onde surgiu, ou ir para faculdade com o controle remoto da tv.
Esses dias descobri que se não tem solução, tem uma explicação: é genético.

Diálogo 1 com minha mãe:
-Acredita que eu fui passar o hidratante e passei desodorante no lugar?
-Mas mãe, quando tava passando não sentiu o perfume?
-Não, só estranhei quando os olhos começaram a arder.

Diálogo 02:
-Pinga colírio pra mim?
-Mãe, tem certeza que isso é um colírio? Tá estranho, tá azul e grosso.
-Ah, peguei lá no quarto do Rodrigo (meu irmão). É colírio sim, li na bula.
-Mãe, você é louca? Não pode pingar sem receita médica, vi na tv. Aumenta a pressão interna do olho, coisa e tal. Pode até cegar!

Nesse meio tempo meu irmão chega.

-Não, não é colírio. É remédio pro ouvido.
-Você não disse que leu na bula? -
Li, mas estava sem os óculos. De qualquer funcionou, não ta ardendo mais.

Silvio Santos e a Arte de Humilhar - Quarta-feira, Maio 03, 2006


Esses dias eu estava assistindo televisão e vi o anuncio de um programa que prometia homenagear os grandes nomes da música. Achei a idéia fantástica, fiquei animada, e me esqueci que uma vez Silvio Santos, sempre Silvio Santos. O programa Rei Majestade tem o formato de um programa de calouros, mas com as pessoas que fizeram muito sucesso e agora estão sumidas. Acontece que muitos desses artistas estão fora dos palcos há uns 30 anos, ou mais. São cantoras da época de ouro do rádio, cantores que se lançaram na época da Jovem Guarda, coisas assim, e muitos deles não conseguem lembrar a letra das musicas na hora de cantar, a voz falha, e por ai vai. O que qualquer banda do mundo faria? Salvaria o vocalista. Mas não, a banda do Silvio Santos -ou orquestra, ou sei lá o que - não só não acompanha como faz questão de mostrar que o cara errou pra todo o Brasil ver. Aquelas mocinhas do coro cantam a musica como deveria ser cantada, e deixam o personagem principal na mão. Acho a mais pura sacanagem.

Não satisfeito o Seu Silvio entrevista a pessoa depois, a lembra do vexame, e depois manda um "vai pra lá". É para acabar. Eu mudei de canal, fiquei com vergonha pelo velhinho que estava lá. Mas também o que esperar do cara que criou o Topa Tudo por Dinheiro? Tá, era engraçado e eu dava muita risada, mas era muita cretinice da parte dele jogar aviãozinho de dinheiro e deixar a mulherada se debatendo. Fora quando elas desciam em um escorregador segurando uma bandeja de sucos, iam fantasiadas de pé de alface, e voltavam para a cadeira "cantando e rodando".

Passadas algumas semanas do dia que eu assisti o Rei Majestade, resolvo mandar um currículo para o sbt. O canal é um lixo, mas eu preciso de um emprego. Mandei e logo no outro dia tinha uma mensagem na minha caixa postal de uma tal de Silene do SB pedindo para eu entrar em contato. Liguei, fiz figas, pedi pro meu santo e tudo mais. Uma entrevista, tudo que eu queria. Atende uma outra pessoa, tom de voz de pessoa de telemarketing, a tal Silene não estava mais lá, não podia ser com ela? Podia. Ela me diz que meu numero tava marcado como uma pessoa que participou de um dos programas do sbt. Ué, mas eu nunca participei de nada. Pera lá, a conversa não era sobre o currículo que eu mandei? Não. Era para eu participar do Roda- Roda. Fiquei puta, mas a mocinha me lembrou que eu poderia ganhar uma casa, um carro e muito dinheiro. Interessante, mas o viraria motivo de chacota entre os amigos. Ah,que se danem os amigos, eu iria. ¿Senhora, para isso é preciso comprar o carnê baú da felicidade e esperar que seja sorteada. Ahn? Carnê? Usaram do meu desespero por um emprego como estratégia de marketing. Da para acreditar? Nunca me senti tão perto das tias da caravana da Vila Sônia.

Sobre o Carnaval - Quinta-feira, Março 02, 2006








-Estou velha. Várias crianças estavam fantasiadas com uma roupa vermelha de um super-herói que eu não conheço. Parecia Os Incríveis, mas o símbolo era outro.


-Acho ótimo que a Beija-Flor não tenha ganhado. Poços não tem nada a ver com aquela música que falava de mar, Netuno, Atlântida. Nota 0 para a escola e para o Estado de Minas Gerais que bancou essa babaquice.


-Planejei ir para alguma cidadezinha com carnaval de rua, mas no fim acabei alugando filmes e dormindo no sofá com meu gato como única companhia.


-Poços de Caldas virou a Cidade de Deus do sul de Minas.


- Ri muito da Nivea Maria falando torto no camarote da Rede TV e confessando que tinha enchido a lata de cachaça. Será que depois dessa ela ainda é uma atriz global?


-Fiquei feliz pela Vila Isabel, mas só por que ela era a escola do Noel. Torço também pela Portela por causa do do Paulinho da Viola e pela Mangueira por causa do Cartola, mas bem de levinho. No fundo não estou nem aí pra nenhuma delas, afinal nem sou do Rio, mas se eu fosse da Tijuca eu mataria aquela mulher que deu 9.3 para fantasia.


-Passou um programa sobre o ZiCartola muito legal na tv. Se você assistiu é tão anti-social como eu. Se não assistiu perdeu, pois foi ótimo.


-Ainda bem que a festa acabou, já estava morrendo de saudade de Lost.

Últimas Notícias - Domingo, Dezembro 25, 2005


Últimas Notícias Descobri que se eu fosse homem meu pênis mediria 18,5 cm. Recebi parabéns de vários amigos, alguns invejosos lembraram que 18 e pouco não é nenhum 23 cm, mas de qualquer forma eu fiquei feliz pelo Marcelo que estaria aqui, caso um espermatozóide com um cromossomo Y tivesse chegado primeiro na grande corrida. Afinal, eu não daria para um ator pornô, mas estaria acima do que dizem ser o padrão nacional, que é o tamanho de uma caneta bique.

Descobri também que meu instinto materno não funciona como os das outras mulheres. A grande maioria não gosta nem de pensar na idéia de ter filhos, mas como o aumento da idade desperta o tal relógio e elas ficam doidas, loucas para engravidar, ter uma prole pra alimentar, limpar, educar, etc... Já eu não: eu sempre quis ter um filho, desde quando eu nasci. Já tinha escolhido os nomes, coisa e tal, sempre parava na frente de lojas de artigos de bebês, tinha tudo planejado em mente, escola, quantos seriam, tudo, mas agora mudou, ando com birra de crianças. Nunca na vida elas me irritaram tanto. Céus, como são barulhentas! Acho que tem a ver com a minha mudança de apartamento. Na frente tem um menino e uma menina, que diariamente jogam coisas no meu quintal( na verdade uma lavanderia sem cobertura, mas eu prefiro pensar que é um quintal, e espaçoso.). Cada dia uma surpresa nova, bolacha, chiclete, bisnaguinha, e por ai vai.

No apartamento do lado deles moram duas velhas que devem ter uns 15 netos, bisnetos e tataranetos, e sempre tem algum chorando no corredor. Já no apartamento ao lado do meu mora um garoto de uns 10 anos, e de uns dias pra cá resolveu treinar ping-pong. Adivinhem onde? Sim, na parede que divide o meu apartamento com o dele.

Eu tenho medo de especialistas em micro-biologia - Segunda-feira, Outubro 24, 2005


Eu não sei todos são desempregados como eu e podem ter o luxo de assistir toda a programação do período da tarde, mas quem pode deve ter constatado a nova mania de bactérias que ronda a programação brasileira de televisão. Quase todo dia vem um especialista em micro-biologia ensinar as donas de casa a deixar a casa livre dessas terriveis inimigas, que estão na escova de dente, na esponja de pia, no teclado do computador, enfim, em tudo. Quando eu era criança eu aprendi que devemos tomar banho, cortar as unhas, lavar as mãos depois de ir no banheiro, lavar bem os alimentos, beber água tratada, essas regrinhas básicas da higiene que bastariam para ter uma vida saudavel, mas não, hoje em dia dizem que isso é pouco, muito pouco.
Uma dessas bactérias presentes da pia da cozinha podem entrar em contato com a nossa corrente sanguínea, causar infinitas doenças, e pasmen, até levar a pessoa ao óbito. Sim, o especialista disso isso. Assustador, não? Por isso devemos trocar a esponja de pia todo dia, devemos lavar a táboa de carne com vinagre, isso se não tiver nenhuma fissura, por que senão deve ser eliminada. E o lixo então? Não vou nem comentar, mas o cuidado é tanto que parece que temos lixo radioativo em casa. Comer fora? Nem pensar. Os riscos são tantos que talvez você não consigia sobreviver até a hora de pagar a conta.
Fico pensando em como deve ser a vida dessas pessoas que dão as tais aulas na tv. Será que eles seguem as regras? Será que da pra viver assim? Acho que esses caras tem TOC, acho que devem ficar 6 horas no banho, esterelizam os pratos a cada uma hora, examinam copo por copo antes de dormir e não satifeitos querem dissiminar sua loucura por ai. Eu tenho medo desses caras, tenho medo que eles mandem me prender caso descubram que as vezes a pipoca cai no chao de casa e eu pego e como, que eu como cachorro-quente de carrinho, ou que eu não passo as minhas meias.


Conclusões de uma recém-desempregada - feira, Outubro 07, 2005



Gastos durante treinamento não remunerado= 150 reais

Total de erros no salário= 400 reais

Caixa de maracujina= 10 reais

Mandar tudo a merda e nunca mais voltar = Não tem preço.

Perigo na condução - Quinta-feira, Agosto 25, 2005


Eu sei que esse blog está pra lá de abandonado, mas culpa é da porcaria do meu emprego que me ocupa o dia todo, e se ainda não bastasse a mixaria que me pagam, contratam para trabalhar na rede homens maus que bloqueiam orkut, msn, e agora o blogger. Acha pouco? Pois saiba que além de prejudicar a vida desse blog e a minha saúde física, esse emprego quase me deixou perturbada das idéias. É serio! Eu estive prestes a vestir uma camisa de força e ir morar em um quarto com paredes almofadadas. A loucura começou em umas das minhas viagens até o trabalho, quase duas horas de distância. Como no ônibus não tem nada pra fazer, e eu não me arrisco mais a puxar conversa com desconhecidos, eu fico pensando na vida. Às vezes tenho boas idéias - tanto que comecei a andar com um bloquinho pra não esquecer depois ¿ mas outras vezes eu tenho idéias ruins. Penso em como a vida é frágil, que eu posso ser assaltada e morrer por não ter nada além do passe, que talvez eu nunca mais volte para casa, que o ônibus pode bater, e nesse dia especifico eu pensei em como a escada de um ônibus é perigosa. Comecei a ver as velhinhas subindo com dificuldade, depois na hora de descer reparei em como ela é alta. E se eu tropeçasse? Cairia de boca no chão, provavelmente quebraria todos os meus dentes, ou pior, os ossos da face, de forma que o médico não conseguiria arrumar e eu ficaria deformada, como em Vanilla Sky. Eu não teria mais vida social, as pessoas teriam medo de mim. Isso se eu sobrevivesse, por que no tombo poderia vir um carro e me atropelar, ou eu poderia cair debaixo da roda do ônibus. São varias as possibilidades de desastres, então eu comecei a descer bem devagar, para não correr riscos. Depois disso eu percebi que todas as escadas são perigosas, então tomava cuidado sempre que via um degrau. Fiquei nessa vida até que um dia eu demorei tanto para descer a escada do ônibus que o motorista fechou a porta e prendeu meu braço. Machucou, o coitado até de desculpou, mas ele não teve culpa, até uma velha com osteoporose avançada teria descido aquela escada muito mais rápido que eu. Foi ai que eu comecei a me controlar. Coloquei um ponto final, fui superando e agora até desço pulando, como antigamente. Problema com ônibus superado, estou conversando com uma colega de trabalho quando ela comenta que não anda de metro, que tem medo. Achei engraçado. Metro? Poxa, mais é tão seguro. Nisso ela me conta que morrem varias pessoas por dia no metro, mas eles não deixam ser noticiado. Que as pessoas são empurradas no vão e eletrocutadas, que erram na hora de entrar na porta, que escorregam, e que aqueles homens uniformizado de preto limpam tudo bem rápido, que às vezes as pessoas nem percebem o acidente. Eu dei risada. Que isso? MIB III? Não, não, aquela era a historia mais absurda que eu já tinha ouvido. Até que ouvi da boca de um funcionário do metro que era verdade, era registrada pelo menos uma morte por dia no metro. E agora? Vou a pé ou de bicicleta?

Balanço - Terça-feira, Julho 12, 2005


Já tem quatro anos que eu me mudei para São Bernardo do Campo, que eu sai da casa dos meus pais, que eu comecei a me preocupar com a minha comida, com a minha roupa, e com essas coisas todas que vocês já cansaram de ler por aqui. Sim, estou com aquela conversinha de fiada sobre o tempo, sobre a vida, e se bobiar até comento que você cresceu, que peguei você no colo, e isso tudo por que eu estou envelhendo. Fico refletindo sobre tudo que me aconteceu nos últimos anos, o que essa mudança me trouxe, e chego em vários pontos que eu gostaria de explorar aqui, mas hoje eu fui ler malvados e dei de cara com uma tirinha que fala sobre uma coisa que eu tenho pensando esses tempos: amizade. Sinceramente, acho que é a maior balela. As minhas maiores traições e decepções foram frutos de amizades, o pouco que vivenciei já é motivo de sobra para o Milton Nascimento ser processado e proibido de cantar aquela música que fala de guardar amigo do lado direiro do peito. Acho que esse tipo de relacionamento nada mais é do que um jogo de interesses e não entendo essa supervalorização. Talvez eu esteja sendo amarga, mas foi o que eu aprendi nesses anos, e sabe o que é pior? Meu pai me avisou, e me avisou a vida toda, mas na época eu achava que o errado era ele.

Um post piedoso - Terça-feira, Junho 28, 2005


Um post piedoso Eu não gosto muito dessa cantora, não escuto suas músicas e não acompanho seu trabalho, mas assisti um clip na MTV que tocou meu coração. Pobre moça. Foi iludida por algum cabeleireiro mal intencionado, que a transformou em um cruzamento da Elba Ramalho com o Ovelha. Não posso ver tamanha crueldade e não tomar nenhuma atitude, por isso lancei a campanha ¿Um cabeleireiro honesto para Shakira¿. Se você é mulher e já foi vitima desse golpe, ou se você simplesmente tem coração, entre no site www.shakira.com.br e recomende um profissional para nossa colega. Pode ser o da sua mãe, aquele cabeleireiro famoso, ou até mesmo o barbeiro da esquina, pois qualquer um pode deixar o cabelo da menina melhor do que está.

Sacanagem de Psicólogos - Sexta-feira, Maio 13, 2005


Quem ai já fez um teste psicotécnico? Eu já fiz um monte. Fiz na escola, quando eu estava na época do vestibular, fiz para auto-escola, senão não conseguia a carteira de motorista, fiz também pensão para estudantes, para fazer estagio na faculdade, para trabalhar em grandes empresas, e por ai vai. Os métodos são muitos - fazer desenho com pontos, rabiscar linhas retas, selecionar imagens iguais ¿ mas o resultado é sempre o mesmo: você não entende nada e sai do teste sem saber se é retardado ou não. Embora os psicólogos digam que eles servem para indicar qual a melhor vaga para seu perfil, o que querem mesmo é saber se você corre o risco de acordar um pouco mal-humorado e resolver metralhar seus colegas de serviço. Quando passo por uma seleção dessas e não me ligam mais eu entro em crise. Se elas ainda divulgassem os resultados, né? Mas não. Talvez eu seja uma serial killer em potencial e nem saiba. E como se já não bastassem todas as vezes que somos testados, os psicólogos entraram para o mundo moderno e inventaram agora uma nova forma de pesquisa, o exame psicotécnico via web. Para isso são usados os comments de blogs, torpedos via web, votação para Big Brother e outras paginas onde o internauta tem que apertar enviar. Antes de aparecer sua mensagem foi enviada é preciso passar para um quadrinho em branco o que você está vendo em um outro colorido. Letras, números, palavras. Até ai normal, mas acontece que de um tempo pra cá inventaram um jeito estranho de escrever, na maioria das vezes não para entender. Não da pra saber se é zero ou a letra o, as letras aparecem com um risco no meio, uma bagunça.Eu vou lá, escrevo o código: código errado, tente outra vez. E vai indo, um erro, dois erros, três erros, quatro erros, até que me irrito e desisto de enviar o que quero. Você já passou por isso? Também se perguntou o por que dessas escritas estranhas? Pois é, pura sacanagem de psicólogos.

Momentos Homer Simpson - Quinta-feira, Abril 21, 2005


Esse post provavelmente vai sair sem pé nem cabeça, já que a minha vida tem sido assim nos últimos dias. Troquei o dia pela noite,comecei a trabalhar de madrugada. Você está acordando e eu estou indo dormir, você está jantando e eu estou almoçando, você está curtindo um sol e eu a minha cama. Nada de ônibus lotado, nada de cliente irritado, posso navegar à vontade, e ainda ganho mais que os outros. Bacana, não? O único problema é a adaptação, nos primeiros dias a irritação é inevitável. Percebi isso no dia que fui comprar um chocolate quente em uma das maquinas do break. Casa dose é 0,25 centavos. Comprei uma, achei uma delicia, coloquei mais 50 centavos para comprar logo mais duas de uma vez. Tinha umas coisas escritas na máquina mas as letras eram pequenas e eu estava com muito sono para ler. Apertei o botão, nada de chocolate, apertei mais uma vez e nada, outra e nada, foi ai que o caboclo Homer Simpson baixou em mim. Falei palavras horriveis para a coitada, sacodi, e nada. Resmunguei, tentei enfiar um grampo para tirar a moeda e nada. Chamei o porteiro: - Tio, ou você pega os meus 50 centavos que está nessa mer** de máquina ou vou dar uma bica e ela vai cuspir a minha moeda na marra. É, eu tinha me tornando um ser irracional. Só não cumpri o prometido por ter me lembrado do aluguel no começo do mês. Um a zero para a máquina. No dia seguinte voltei a enfrentar a fera, e por preocucação resolvi ler as instruções, lá dizia que ela não aceitava moedas maiores que 0,25 centavos. -Aaaah. Foi isso então. Coloquei o dinheiro direitinho dessa vez, apertei a opção chocolate, extra acuçar e iniciar. Tudo lindo, tudo na mais perfeita harmonia, enfim e eu a maquina haviamos selado um pacto de amizade, foi o que eu pensei. Há, como fui ingênua. Quando começou a cair o chocolate percebi que faltava algo fundamental, o copinho. Eu não coloquei o copinho. Gastei 0,25 e o chocolate descia pela caninho, de volta para a maquina, a maldita maquina. Dois a zero para ela. Acho que o bairro inteiro ouviu o meu grito de desespero, ou de ódio. Não sei bem o que senti, só sei que gritei alto, bem alto, para ver se ela ficava com medo, ou quem sabe comovida. Afinal, poxa vida, ela é a minha fonte de glicose na madrugada. Mas não mãe, você não precisa mandar uma cesta de frutas nem falar com meu chefe, eu vou sobreviver. Ontem já consegui comprar um chá, quem sabe amanhã compro um café e mais pra frente um capuccino?


23 de outubro de 2008

No mundo da fantasia - Terça-feira, Abril 12, 2005


Todo fim de tarde eu chegava da faculdade e tentava cochilar um pouco, mas quase sempre não conseguia. Onde eu moro tem muita criança e batia com o horário que elas voltam da escola e ficam brincando no parquinho. No meio da gritaria eu sempre escutava a voz de homem que chamava por uma tal de Cacá. Pelo jeito que ele chamava, parecia que ele era o pai e estava chamando a filha que fazia bagunça. Devia estar correndo muito com a bicicleta, ou indo muito alto com o balanço, não sei. O que dava para perceber é que ela não dava ouvido aos chamados do pai, já que esse continuava ainda por um tempão "Cacá, Cacá. Cacá".
Comecei a imaginar como seria a Cacá. Qual apartamento mora? Qtos anos? Ah, uns 3 ou 4, senão o pai não estaria sempre por perto. Já deve ir pra escolinha, deve ter franjinha, bochecha corada, deve ser do tipo que deixa a professora e os pais de cabelo em pé, mimada pelo avô, que traz chocolate todo dia. Criei na minha cabeça o rosto, a personalidade a história de vida da Cacá. Quando passava pelo parquinho ficava imaginando qual delas era ela.
Se eu ficava um tempo sem ouvir a voz do pai, "ah, está quente. Devem ter ido pra praia, como todos por aqui". Já na segunda escutava o pai outra vez, "ah, sabia. Deve estar com o nariz descascando". Será que já está trocando os dentes? Acho que não. E assim foi indo, até que um dia ouvi o pai da Cacá chamando por ela no meu andar. Finalmente eu descobriria quem eles eram. Olhei pelo olho mágico e vi um entregador de gás. Nada da Cacá. Abri a porta e dessa vez, tão de perto, deu pra ouvir o que ele falava. Era a voz do pai, ou melhor, do homem que eu achei que era o pai, mas ele não falava Cacá como eu ouvia da minha cama, e sim "Olha o Gás".
A Cacá era um botijao de gás, nada mais do que isso. Não ria, não brincava, não corria, não tinha o cabelo preto e bem lisinho como eu havia imaginado.

A menina e o Papai Noel




Pagar contas no banco é uma chatice, sempre tem muita gente, filas enormes, burburinho, pessoas com pressa e todos os outros requisitos que um inferno deve ter. Como eu sou pobre, e não posso ser um cliente Van Gogh, Personalité ou qualquer outra dessas coisas que inventam para os ricos, sou também por obrigação frequentadora assídua desses lugares. Para piorar tenho conta no Bradesco, o banco mais fuleiro que existe.

Ontem foi dia de pagar aluguel e lá estava eu lá na fila, junto com outros zilhões de clientes pobretas, quando presenciei uma cena fofa. É que na fila dos aposentados tinha um senhor bem alto, meio gordo, com a barba bem grande, branca, e com cabelos compridos e brancos também. Já na minha fila tinha uma menininha de uns três anos que acompanhava a mãe. Já imaginaram a cena, né? - Mãe, mãe. Olha lá, é o papai noel.
A menina apontava pro senhor, os olhinhos brilhando, fazia que ia até ele, voltava envergonhada, olhava pra mãe. Na fila o pessoal todo começou a rir, ela nem percebia , tava toda encantada com o seu Papai Noel, que agora já mandava tchauzinho.

Maternidade e sensibilidade - Quinta-feira, Março 31, 2005


Eu fui uma criança grande. Aliás, bem grande. Sempre fui a última da fila, sempre me confundiram com alunos mais velhos, sempre se espantaram quando ouviam a minha idade, sempre diziam que eu devia praticar natação, basquete e coisas do gênero, diziam até que minha mãe devia me levar no médíco, que eu não era normal.
Quando entrei na adolescência mais problemas a vista: aos 10 anos eu já tinha 1,72. Era super infantil, mas as pessoas me viam como um adulto. Uma vez uma pessoa perguntou pra minha irmã se eu fazia a mesma faculdade com ela. - Não, a Marcela está na sexta série.
O tempo se passou, os meninos já são maiores que eu e não vejo mais problemas em não poder frequentar o parquinho, já que agora eu passei da idade mesmo. A questão é que os problemas vão, mas os traumas ficam. Destesto que me chamem de Marcelinha por que acho que estão me irozinando, e de Marcelão também não , ne? Muito masculino. Eu, desse tamanho, o que vão pensar? Não , não. Outra coisa: peguei aversão a esportes. Fiz de tudo, sempre sem sucesso, óbvio. Vôlei aos 8, quando todos tinham 14? Levava bolada o dia todo. Beijar uma pessoa mais baixa que eu em público? Jamais! -Ai, Marcela, que bobeira. Bobeira nada minha gente, eu sofri ué. É dificil de ententer? Deve ser, pelos menos pra minha mãe,que fez, sem minha permissão, as barras de todas as minhas calças. Repito: todas. Dá para acreditar?
Cheguei no fim de semana e quando me vesti senti aquele friozinho na canela. Olhei pra baixo, a barra não relava mais no chão. Eu quase aos prantos, meus irmãos rindos, e minha mãe super natural:-Ficou bem melhor, você parecia uma favelada daquele jeito.
Tive que conviver anos com o uniforme da escola curto, por que minha mãe só trocava no começo de cada ano letivo e com roupas que serviam na loja e não serviam mais quando eu usava pela primera vez, mas há anos eu dava o problema como resolvido.Agora estou super complexada, acho que ficaram curtas, que todas as pessoas estão olhando pra minha canela, que estão vendo a minha meia, que vou sentar e a calça vai subir até o meio da perna, um verdadeiro inferno que voltou a fazer parte do meu dia-dia. Cadê o maldito escritor daquele livro "Meu bebê, meu tesouro", que não incluiu o topico "Maternidade e Sensibilidade, aprenda a lidar com as necessidades do seu filho"?

Fadada à mesmice - Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005




Eu acho uma babaquice papos de frescor da juventude, bons tempos, e todo aquele lenga-lenga que diz que a vida só é boa até certa idade, depois disso você ja esta envelhecendo, lutando contra o relógio, mas esses dias eu tive uma conversa com meu pai que me deixou triste. Eu estava falando sobre a merda que é ser filho caçula, pois no começo tudo é novidade, os pais empolgados levam os filhos pra cima e pra baixo, depois cansam e só querem ver televisão. Eu como filha caçula peguei a parte chata. Nunca fui acampar, nem pescar, não fiz um monte de viagens que meus irmãos fizeram e tenho menos da metades das fotos que eles tem. Fora isso eu tava falando que ele não tinha me ensinado a jogar tênis, como fez com os mais velhos, e ele se defendendo. No fim da conversa disse que também não adiantava mais, por que tênis tem que começar a jogar criança, depois de velho não pega o jeito.
É, ele tá certo, não adianta mais.Eu não vou ser a revelação do tênis nacional. E pior, nem do tênis, nem da natação, nem do vôlei, nem da literatura, nem da música, nem de merda nenhuma, por que eu não tenho mais idade pra isso. Não é triste?
Sempre falam pra gente que cada um tem um talento especial, que mais cedo ou mais tarde você vai descobrir, mas depois de certa idade, o que mais pode se revelar? Mais nada. Já leu biografias? Fulano de tal começou tocar piano aos 4 anos. Beltrano mostrou habilidades especiais em cálculos desde a pré-escola. Ciclano fez seu primeiro invento aos 9. E quem não fez nada notável ate os 22? Senta e chora, pois foi enganado. Você não é bom em nada e tem que se conformar com isso. Você não tem talento nenhum e nem vai ter, como eu. Você e eu somos comuns. Igual a qualquer um, igual a todo mundo. Nascemos pra comer, dormir, procriar, e morrer. Nem hobby eu tenho, imagina talento. O que eu sei fazer? Nada, nem descascar laranja. Não é triste? Eu queria ser como o Bill Gates, droga! Queria ter uma esperançazinha de ter um talento especial e ficar milionária. Mas não, vou ficar chacoalhando no ônibus até me aposentar. Ou será que ainda dá para ser campeã de bocha?

Domingo, Dezembro 05, 2004




O que é mais auto-destrutivo?


A- Comer risoles e tomar coca-cola no café da manhã

B-Se apaixonar por um gay


Dessa segunda-feira não passa - Quarta-feira, Outubro 27, 2004


Um dia desses cheguei em casa e o Ludovic, o meu hamister, estava todo-todo lá em sua rodinha. Logo ele, que mau saia da casinha, que tinha até me preocupado achando que nunca iria rodar. Achei estranho esse interesse repentino por exercícios mas logo percebi o que era obvio: aquilo era um sinal.
Sim, meu hamister me dizia que eu devia voltar para academia, devia fazer esteira, devia deixar de lado essa vida sedentária. Resolvi ouvir a voz do mundo animal e fui à procura de exercícios. Natação? Hidroginástica? Piscina é bom, mas é muito caro. Fiquei com a academia mesmo. Seria a quinta nos últimos dois anos.
Fiz a matricula e fui logo avisando o professor que eu só ficaria se não tivesse que fazer aqueles exercícios com pesinhos. Eu odeio aqueles pesinhos, eles são sempre o motivo principal das minhas fugas, eles me irritam. O professor prometeu pensar e eu prometi aparecer no outro dia.
Acordo na manhã seguinte e visto minha roupa própria para ginástica. Pronto, já começo a me sentir ridícula. No caminho sinto que todos olham para mim, não dizem nada, mas sei o que pensam, eles estão se perguntando: onde essa ridícula, no caso eu, pensa que vai com essa roupa. Tento desencanar e paro para comprar água. O tio do supermercado pergunta se eu estava indo fazer exercícios.
¿ Ah, você está perguntando isso por causa dessa minha roupa patética?
Ele ficou sem graça e eu comprovei minha teoria. Segui meu caminho pensando em abrir uma loja de roupas de ginástica discretas. Talvez eu ficasse rica.
Chegando lá fiz tudo que o professor mandou, mas, não sei por que, minha pressão caiu. Comecei a passar mal, via tudo embaçado, enjoou. Pedi pra ir embora, mas não contei que tava passando mal. Fiquei com medo, ele interpretaria mal, eu tenho certeza. Das três uma, ele poderia achar que era fricote e me colocar pra ralar mais, poderia ficar assustado, achar que era algo grave, fazer um escândalo, parar todo mundo, chamar a ambulância ou a pior das hipóteses, achar que eu tava dando em cima dele, uma coisa cuida de mim. Não, não. Prefiro sofrer calada.
Por sorte não tive mais tempo de voltar, pois assim não sinto culpa de ter feito a matricula e ter freqüentado menos de uma semana.


Palavras apenas, palavras pequenas, palavras...

Eu sou da opinião que algumas palavras não deve ser ditas. Quer dizer, você pode até usar, mas eu vou pensar mal, com certeza. Acho que todo mundo tem isso, e não só palavras,mas atitudes também. Um amigo, por exemplo, contou que terminou tudo com uma menina por que no primeiro dia deles ela foi no banheiro com a porta aberta. Ele achou um absurdo, como assim, eles ainda estavam se conhecendo, não tinham essa intimidade. Eu já não ligaria para isso, mas essas palavras, ou melhor, essas gírias, do top de hoje são verdadeiras barreiras para mim.

Top 5 palavras chucras:

Cagar
Mijar
Rangar
Trepar
Trampar

Não, não dá.


Sai que eu sou VIP! - Quarta-feira, Outubro 06, 2004

Adivinhem! Arrumei um emprego e agora sou uma serva de publicitários. Passo o dia colocando em pratica algumas táticas para enganar pobres pessoas que não tem muita convicção do que querem e no fim faço com que elas gastem mais do que deveriam. Nojento, né? Uma dessas táticas criadas por pessoas desalmadas do marketing é convencer o cliente que ele é especial. Palavras como exclusivo, vip, benefícios são ótimas para convence-lo disso, ao contrario de multa e conta. Tem coisa mais manjada que isso? Eu me lembro de quando recebi aquele valor extra na minha conta corrente. -Uau, sou tão importante que o banco está me dando um valor extra pra eu gastar como quiser.
Devíamos aprender com esse erro, assim como quem queima a mão na fogueira ou põe o dedo na tomada, mas não é o que acontece. Parecer especial no meio de tantos outros ainda nos seduz, principalmente pessoas como eu, pobres, que sempre ficaram do lado de fora da corda.
Quando eu era criança e ainda ia ao circo eu sentia inveja das pessoas que sentavam naquelas cadeiras lá da frente, de metal , vendo tudo de perto e às vezes até participando de umas brincadeiras, enquanto eu ficava na arquibancada de madeira vendo tudo de longe. Ser VIP deve ser legal, era o que eu pensava.
Cresci e em algumas situações consegui estar nessa condição, a de gente importante, pena que todas foram roubadas.
A primeira foi quando eu fui convidada pra a Fashion Week. Não, não a de São Paulo, a de Poços de Caldas. Fui pra beber champanhe, mas não teve nem refrigerante com empadinha.
A segunda foi numa pré-estréia, a primeira da minha vida. Gente histérica, filme ruim, só me animei depois, quando vi que uma das cenas do filme tinha sido gravado na rua da minha casa, me senti morando em Hollywood.
Já a terceira foi no show dos Los Hermanos , a Pândega comprou o meu ingresso e o dela, e os ingressos vieram errados, vieram pra parte VIP, embora tivéssemos comprado para a pista. Ficamos animadíssimas, mas nem deu para aproveitar, pois o Kenan não deu a mesma sorte que a gente e não podíamos deixa-lo sozinho, ainda mais naquele estado lamentável que ele se encontrava. Tudo bem, já que a pista é mais animada, mas toda vez que alguém esbarrava repetíamos: - Sai que eu sou VIP.
Sim, tínhamos sido contaminadas. Conclusão: sou tão idiota quanto os meus clientes.



Quando eu era criança queria... - Quarta-feira, Setembro 29, 2004

ter oito filhos
tomar o café da manhã da Xuxa
ter um walkmachine
que os cachorros vivessem tanto como os elefantes

De todas essas opções a ultima vontade é a única que permanece. Como seria bom se eles vivessem o bastante para acompanhar toda a nossa vida, e que assim não houvessem despedidas. Meu cachorro ainda estaria aqui, eu não me sentiria culpada por não tê-lo ajudado quando ele precisou, eu ainda teria tempo de deixar que ele passeasse o quanto quisesse, por todos os jardins, sentindo todos os cheiros.Ele ainda poderia colocar o focinho para fora do vidro do carro, como se estivesse recebendo o mundo todo na cara. Eu faria sua vontade e permitiria que ele observasse mais o que tinha além do muro, do jeito que sua natureza curiosa pedia, que corresse atrás dos seus passarinhos, mas não, as coisas não são assim e isso tem me feito muito infeliz nos últimos dias.
Foi por isso também que eu não postei na última semana, por estar triste e por ter medo de ouvir alguém falando que eu devia lembrar de quem não tem casa pra morar ao invés de me preocupar com um cachorro. Eu me preocupo com as pessoas, com as crianças e coisa e tal, mas por que isso tem que fazer com que eu seja indiferente a um ser que me acompanhou durante 12 anos? Sinceramente não consigo, não quero e nunca vou entender pessoas assim.



1, 2, feijão com arroz - Quarta-feira, Setembro 15, 2004


Acho divertidíssimo não saber o que vou estar fazendo daqui um ano. Até Junho, se tudo der certo, ou seja, se nenhuma turbina de avião cair na minha cabeça durante a noite, eu vou estar estudando. Mas e depois? Não faço a mínima idéia! Vai a acabar a faculdade, não sei se vou estar trabalhando, não sei se continuarei morando aqui, não sei de nada. Não é ótimo? São tantas opções, tantos caminhos.
Pensando nisso eu me lembro de quando eu precisava escolher que curso queria fazer. Medicina? É, pediatria, cuidar de crianças, legal, mas pensando bem tem que estudar muito, talvez anos de cursinho. Não, não. Veterinária? É isso, bichos é o que há. Mas nossa, todos os bichos? Cavalos, bois? Não posso me limitar aos cachorros e aos gatos? Então nada feito. Psicologia? Não, vou acabar em um R.H de uma empresa de cosméticos. Estáticas? Pode ser, e...o que? Não, para tudo. Estatística?
Pois é, meus caros. Eu já pensei em fazer estatística. Li naqueles manuais de profissões e achei interessante. Da pra acreditar? Logo eu que sempre fiquei de recuperação, que até hoje não entendi logaritmos, que tremo na hora de fazer uma divisão de decimais. Minha cabeça é tão voltada para humanas que os números pra mim não são só números, eles tem caráter, tem uma historia de vida. Não entendeu? É mais ou menos assim:

N° 1- Bonzinho, irmão caçula. As vezes pentelho, mas perdoável.
Nº 2- A irmãzinha, legal também. Se da bem com o irmão 4.
Nº 3- Menina rebelde, acha que ninguém gosta dela, mas a 6 e até a 9 gostam.
N° 4- Super prestativo, sempre ajuda a mãe 8.
Nº 5- Chatíssimo, sempre irritando os outros, atrapalhando.
Nº 6- Ela é mãe, né? Barrigudinha e tudo mais. Ama a 3 e a 2, sofre por ter que dividi-las com outras mães.
N°7- Um cara estranho, que sempre quer ficar sozinho.
Nº 8- Mãe também, mas não sofre tanto como a 6, mais madura, sabe? Seu único defeito é mimar demais o 4.Ah, não podemos deixar de citar a forma, igual a de Vênus.
Nº9- Abominável. Interesseira. O pior dos números. Para entender isso é preciso saber que todo unitário quer ser dezena, é a ambição de todos. O cinco quer sempre ser 15, o 4 quer ser 14 e por ai vai, é instintivo, esta na psique numeral. Então eles pedem, ingenuamente, a ajuda da nove, daí ela que é uma sacana sempre passa perna e rouba um ponto, logo o 6 que queria ser 16 acaba virando 15, o 8 vira 17, e por ai vai.

Alguém aqui também pensa assim? Os números são mais que meras representações para você? Caso sim, se manifeste, pois meus amigos disseram que isso não é normal e eu quero provar que é sim.

Ele está no meio de nós! - Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Se alguém me perguntar se eu tenho alguma crença religiosa eu fico em duvida. Digo que não, e quero acreditar que não, que é tudo uma besteira, mas às vezes me vejo presa na educação que recebi. Nego acreditar em paraíso, ou o contrario dele, mas morro de medo de purgatório. Toda vez que faço algo que acho errado me imagino na frente de um grande portão de ferro, tentando entrar para o céu, e um anjo olhando a minha ficha, vendo o que eu fiz e o que eu não fiz.

-Não, não, não. Está aqui, você quebrou o vaso e culpou seu irmão. Desce!

Na catequese, que eu tinha que ir todo o sábado, eu aprendi também que Cristo pode vir na forma de um mendigo, por exemplo, para testar a minha bondade. Como onde eu moro sempre tem alguém pedindo algo, eu me sinto testada o tempo inteiro. Toda hora estou dando um troquinho para quem pede e me sinto super culpada quando não dou.
Esses dias eu tava voltando do supermercado, cheia de sacolas na mão, quando começou a chover. Estava tentando ir mais rápido para me molhar menos quando ouvi alguém me chamando. Era uma mulher com um guarda-chuva. Céus, quanta bondade, ela vai me oferecer carona até em casa, que bom. Ta vendo só? Ainda dizem que os paulistas não estão nem ai pro próximo, pura implicância.
Cheguei mais perto e adivinha? Ela me pediu um trocado para pegar o ônibus. Não acreditei, eu ali, ensopada, cheia de sacola, e ela, toda sequinha, ainda tem a cara de pau de me fazer parar e me pedir dinheiro. Eu quis esganá-la, arrancar o guarda-chuva e dar na sua cabeça, dar uma sacolada na cara, tudo, mas só consegui responder um sem-graça ¿sinto muito, agora não tenho¿, e pensar: porque diabos eu não nasci numa família de ateus?